A fábula do futebol

Após os 30 a gente aprende ou ao menos deveria aprender a ser mais razoável, ter uma visão equilibrada das coisas e essas baboseiras. Eu aprendi um pouco. Vou falar de futebol. Sim. Futebol. Ah mas começa falando de futebol e vai terminar em Batman? Não, não vou terminar em Batman. Ser geek, nerd, leitor de quadrinhos, fã de cinema, ciências e tal não exclui a capacidade de um sujeito em apreciar o futebol, e como vários nerds do meu Facebook vivem falando de futebol então acredito que falar de futebol é possível – mas só bem de vez em quando.

Antes de tudo vou dizer que sou São Paulino – se você pensou numa piadinha, finge que me ouviu dar uma risadinha estilo “I don’t care” – mas não sou de Sampa, sou capixaba mesmo, e quem fala que eu deveria torcer para um time capixaba eu falo que respeito sua opinião mas estou me lixando para ela. E não vim falar de São Paulo, vim falar de sei lá, futebol.

Cara, esse dias o Flamengo foi campeão. O Cruzeiro também, mas enfim, o insight foi vendo o Flamengo. Aí apareceu um sujeito que aparentava ser de certa forma pobre chorando na arquibancada da final da Copa do Brasil. Fiquei pensando, tudo bem a aparência pode enganar e o sujeito não ser pobre, mas não é incomum ver um pobre na multidão de um estádio. Mas aí que me fez pensar… um camarada não tem dinheiro, não consegue ter lazer com os filhos, não provê educação de qualidade e conforto para a família, mora em um bairro violento, com problemas de estrutura, esgoto, transporte, dengue e o escambau, mas o dinheiro do ingresso do estádio é sagrado. Em casa é um mal marido e bate nos filhos, no estádio chora e abraça estranhos jurando amor a um time. Time com pessoas milionárias ou ao menos ricas que nem ao menos sabem seu nome, e que no outro dia vão embora para o rival e acham tudo normal dizendo que foi por ser profissional, e o mesmo amor ao cara que chorou pelo Flamengo agora diz ter ao botafoguense que xingou ele de ficar rouco até esse dia atrás.

E o Fluminense e o Vasco caíram. A zoação toma conta do Facebook, imagens e videozinhos das Cataratas do Níagara com tricolores e bacalhaus caindo, no episódio clássico do Pica Pau. E tudo promovido obviamente por torcedores rivais, e até distantes como… eu… torcedor de time de outro estado. Além de me preocupar com uma equipe que eu não tenho nenhuma participação no seu desempenho, e principalmente nos louros e nos lucros, agora tenho que me preocupar com outra equipe, de outros torcedores.

http://www.youtube.com/watch?v=s1_YuI8EsZo

Aí vem o fim do ano e ficamos olhando as contratações desse time que não é nosso, analisando cada jogador e fazendo prancheta, escalando time, olhando os reservas, pensando nas possibilidades do próximo ano. Fora Paulo Miranda, contratem Jonas, Luís Fabiano pipoqueiro!!! Ou ainda outros torcedores estarão dizendo: esses jogadores não representam meu time, por isso caiu!!! Biro-biro, Pedro Ken, Fred que só fica no estaleiro… exigimos um elenco mais forte, treinador competente, fora diretoria, pixação e depredação.

Aliás, briga de torcida, na porta do estádio, no metro, na rua, paulada em uniformizado, vândalos, porradeiro marcado por internet, quebrar estátua, pedra em ônibus, fogos de artifício no hotel do rival, perseguição a jogador, denuncia de baladeiro, ameaça de morte. Essa parte é a escória, cito mas tento esquecer que existe, por que a culpa disso, além do próprio cidadão bandido, é do outro bandido, o Estado, que não prende, se prende, não condena, se condena solta.

http://www.youtube.com/watch?v=E8Sjr0jbsPY

Mas enfim. Por que no final das contas nos preocupamos com os campeões e os rebaixados, na verdade, por que torço pelo sucesso de um grupo de pessoas que não me dão retorno nenhum e nem ao menos sabem quem sou? Por que fico triste ou feliz por causa de uma cambada de gente que nem meu amigo ou parente é? Por que gasto meu suado dinheiro para pagar transmissão, ida ao estádio, camisas e acessórios e bandeirinhas? Acho que só tem uma palavra para explicar isso: paixão. Uma paixão besta, tipo aquela que faz nêgo brigar entre Marvel x DC, Playstation x XBox, Android x Apple, PC x Mac, Windows x OS X, Beatles x Rolling Stones, RPG narrado x Magic, Mário x Sonic, Super Nintendo x Mega Drive, Console x Computador e tantas outras brigas que achamos chatíssimas, mas adoramos entrar… rs…

Como somos bestas, até hoje caímos na política de pão e circo, e pior, sabendo que estamos caindo, mas ficamos felizes assim mesmo com coisas que não nos fazem feliz… mas fazem!

Enfim… falei falei e não falei nada… só queria mesmo jogar aqui minha epifania desses dias… até a próxima… e para alguns… vejo vocês na segunda… rs

ps: para não dizer que não acabei em Batman, pronto… Batman.

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Gobbo

Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante (conhecida como Espírito Santo, no Brasil, acredite, esse lugar existe!), Gobbo perambulava por uma calçada quando, sem saber, andou em sincronia perfeita no tempo e espaço com um antigo ritual da tribo Roken Row, que despertou índios em estado inanimado em uma caverna do Téquissas, e então ele se transformou em… nada. Continuou sendo o mesmo cara, mas uma antiga profecia Roken Row diz que aquele que acionar os índios através do ritual, deve ser munido de toda cultura inútil quanto possível, para que assim ele possa fazer algo que não se sabe o que, mas que trará um grandioso resultado, que não se tem idéia. E desde então ele vem sendo observado sem notar, e tem absorvido uma quantidade absurda de informação desnecessária, tornado-o em: um cara comum qualquer que passa do seu lado e você nem nota.