Como formar novos nerds

Se você tem filhos ou sobrinhos, sabe bem sobre do que vou falar agora. Queremos formar novos nerds, ou seja, “customizar” esses novos seres à nossa imagem e semelhança. Queremos que eles torçam pro nosso time, gostem das mesmas bandas e dos mesmos super heróis, leiam os mesmos livros e que joguem os mesmos jogos. Isso tudo acaba acontecendo de forma natural proporcionado pela convivência, mas nem todas as nossas tentativas de levar os pimpolhos ao caminho Jedi dão certo. É preciso saber a idade certa para apresentar alguns tesouros e as vezes o erro pode ser fatal. Vivi isso na prática ao tentar fazer meu sobrinho de 5 anos assistir Star Wars (1977). O moleque sempre me perguntava quem era aquele “cara de roupa preta e cabeça esquisita” que via na minha estante e então não hesitei em colocar filme pra rodar. 10 minutos depois eu estava sozinho na sala. Ele já tinha visto a entrada triunfal do Darth Vader e a curiosidade já estava sanada. Fui ingênuo ao pensar que menino que adora correr, pular e gritar, fosse ficar sentado por duas horas no sofá. Farei uma nova tentativa quando ele tiver 10 anos.
Mas dinheiro nenhum paga a satisfação e alegria de quando acertamos em cheio. O pequeno padawan era detentor de um Nintendo Wii e já sabia o que era videogame, mas assim como fez com com o filme, dificilmente ficava por muito tempo em frente a tv jogando. Foi quando cheguei à casa dele e tirei da sacola um Mega Drive. Instalei na velha Tv de tubo da sala enquanto ele acompanhava com curiosidade. Perguntou-me o que era e quando eu disse que era um videogame, veio a primeira exclamação: “nooooooossa!” Entreguei a ele o cartucho original de Sonic e ele não sabia o que fazer com aquilo. Então eu disse a ele: “Esse é o jogo e você encaixa ele ali” Mais surpreso do que antes ele mandou um “Caramba!”
O som da vinheta da Sega e a música do menu do jogo encheram a sala e o garoto não desgrudava os olhos da tela. Mostrei pra ele como corria e como pulava e entreguei o joystick. Eu já imaginava que ele iria gostar do jogo, mas quando a Green Hill – Zone 1 se iniciou e ele começou a jogar a expressão do moleque era uma mistura de espanto, alegria e excitação. Lá pelo meio da fase ele olha pra mim e grita: “MEUUU DEUUUS! O QUE É ISSO? QUE MÚSICA MAAAAASSA!”.
Nunca imaginei que ele fosse comentar algo sobre a música do jogo. Juro que uma lágrima quase desceu. Naquele momento eu vi. Mais um nerd se formava.

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Álvaro Xavier

Após sobreviver a uma infância horrorosa sem Rede Manchete e nem videogames em casa, conseguiu aprender a tocar violão, montar uma banda e chegar a vida adulta com alguma bagagem cultural. O sucesso nos palcos (da sua cidade) além de dinheiro, lhe trouxe o abandono de vários empregos e a possibilidade de se tornar o maior colecionador de consoles e games do seu condomínio. Descoberto nos confins da internet por Patrick Orelha, se tornou estagiário do SpamCast em 2014 e agora enfim faz parte da podosfera numa tentativa desesperada de tornar sua vida patética um pouco mais interessante. Prato preferido: Batata Frita, Ovo Fito e SPAM frito!

  • Gustavo Costa

    E viva o Mega Drive! Formando novos e felizes nerds há 25 anos! Muito melhor que o Super Nes, que era console de moleque criado pela avó (a treta foi instalada)!

    • Álvaro Xavier

      SNES é rei gustavo!

      • Gustavo Costa

        Que nada. O Super Nes é jogo para menino criado a Ovomaltine. Apanha feio em jogos de briga de rua (O Final Fight Guy de Mega CD humilha os 3 de Super Nes, isso sem contar os Streets of Rage de Mega), apanha em esportes (o Megão foi o primeiro console a ter futebol oficial com clubes, além de ter jogos fantásticos de boxe, hockey, F-1). O Super ganha nos RPGs e joguinhos fofinhos. rsrs

        • PatrickOrelha

          É verdade, por isso que a SEGA tá bombando aí hoje né? Mega Drive: 29 milhões de unidades vendidas SNES: 49 milhões de unidade vendidas…agora vc pode ir chorar num canto escuro e não volte mais aqui!

          • Álvaro Xavier

            Só digo uma coisa pra vc gustavo. Donkey Kong Country.

            Um abraço.

          • Gustavo Costa

            A Sega acabou, o Mega Drive continua, Orelha. Chupa essa manga. Seu Super Nes é finado há anos, o Megão continua nas Lojas Americanas. Hahaha

    • PatrickOrelha

      Comeu cocô, quem chamou esse cara?

  • Muito bom “Árvaro professor substituto Xavier”… acho que a pegada é essa mesmo. Eu tenho uma teoria que toda a criança tem um gene Nerd, é preciso as pessoas certa e os estímulos corretos para despertá-lo. É complicado esse processo de despertar Jedi, pois existe um linha tênue entre um Padawan e o “Jonathan da nova geração”.

    • Álvaro Xavier

      kkkkk, existe essa linha mesmo brother.

    • PatrickOrelha

      hahahahahaha Deos me livre dessa!!

  • Diego Anselmo

    Ótimo texto “diga-se de passagem” kkkkk emocionante mesmo, parabens..

    • Álvaro Xavier

      Valeu Diego.

  • PatrickOrelha

    Muito bom o texto Xavequinho! Me lembro claramente de ter reagido da mesma maneira ao meu SNES! (VIDA LONGA AO REI) E foi uma atitude muito irada essa sua de proporcionar essa mesma experiência para um garoto dessa nova geração! Sendo pai, tenho muito medo da influência dessa geração no futuro dos meus filhos mas creio que com muito amor e atenção e criando momentos especiais como esse que tu teve com o seu sobrinho, os moleque vão crescer feliz! SejE muito bem vindo e que seja o primeiro de muitos!!

    • Álvaro Xavier

      O/

  • Filipe De La Fuente Teixeira

    Ótimo texto, te confesso que dormi vendo star wars com 12 anos de idade.
    Mega Drive é capaz dessas proezas mesmo, e a música da Green Hill Zone realmente é irada. O snes é realmente rei, reina soberano dobre todos os vídeo games de todas as épocas, com ele conheci lendas como Prince of Persia, Zelda, Super Mario, Top Gear, Captain Commando, Street Fighter, Mortal Kombat, Contra 3, Megaman, e tantos outros.

    • Álvaro Xavier

      Só jogão!

  • O Mister Play

    Muito bom …