Comicando 04: Quadrinhos para quem não conta o episódio da coluna

Pois é depois de um longo e tenebroso inverno volto aqui para dar meus pitacos sobre quadrinhos numa coluna que ninguém lê, ou se lê não comenta… mas como eu sou egocêntrico, me satisfaço comigo mesmo. Acho que é o episódio quatro, nem tenho certeza, mas a preguiça de procurar me fez instituir esse como o quarto. E ponto final.

Alguns podem perguntar, por que escrever sobre quadrinhos antigos, não é melhor escrever só sobre o que está nas bancas? A resposta é: por que sim. E não é propaganda de cerveja, é que eu vez ou outra procuro na net sobre HQs que quero comprar para ver se vale a pena, e nem sempre eu acho, ou acho mas a opinião do cara não me faz pensar se devo ou não comprar. A coluna então é um serviço para o futuro quem sabe, afinal, a qualquer momento alguém pode ter a dúvida e chegar aqui.

Mas chega de ladainha e vamos aos quadrinhos de hoje (e no fundo você ouve a criançada dizer eeeeeEEEEEEE):

Terapia

Terapia vol 1 – Rob Gordon, Marina Kurcis e Mário Cau – encadernado cada dura

Cara, o Catarse tá dando oportunidades pra galera soltar a imaginação, e tá formando um novo boOM no quadrinho nacional. Na verdade a HQ terapia apareceu primeiro como webcomic no site Petisco, e no catarse ele só foi impresso, e só tenho uma coisa a falar. SENSACIONAL. A história já é de primeiro escalão, com um garoto fazendo terapia por causa das dificuldades da vida, e tentando desafogar suas mágoas com blues, e cara, como é sensível e bonito, sem ser piegas ou história de mulherzinha. É um MUST HAVE. Mas além da excelente história, a arte… não tem palavras. Eu não saberia descrever o quanto a arte é impressionante e me faz ficar muito feliz com a onda nacional de quadrinhos, que está com qualidade internacional. Mário Cau, o argumentista e o desenhista está de parabéns mesmo. Junto com ele nos roteiros estão Rob Gordon e Marina Kurcis. Inclusive, fato engraçado: comprei direto com o Mário Cau pelo facebook, bati papo com ele e tal, mas na hora de pagar, fiz transferência pela conta do meu pai, por não ter conta no banco dele lá. Final, o Mário se enganou e fez dedicatória com o nome do meu pai… kkkkk muito triste e engraçado ao mesmo tempo.

Resumo: não ler essa revista te torna um perdedor. Compre agora.

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Bom de briga

Bom de Briga – Paul Pope – encadernado capa cartonada

Paul Pope já é figurinha conhecida no meio dos quadrinhos de herói como Batman, embora não seja um desses caras com trabalhos em massa no mainstream e já tendo um currículo mais alternativo, tendo ganho até Eisner nesse meio caminho, e nessa história ele conta a história de um garoto meio semi deus sendo meio que forçado a ser herói por seus pais, por que esse é o seu destino. E ele é enviado para uma terra sem lei cheia de monstros. Eu gostei da história, apesar de ter uma boa quantidade de páginas dá para ler rapidinho e a única coisa que não gostei, não que seja ruim, é que tem continuação, que ainda não saiu. Deve sair ainda esse ano lá nas gringas. O fim não ficou fechado, depende da próxima história (ou próximas pelo jeito, tem cara de ser uns 3 ou 4 volumes), e ainda fiquei sabendo que vai rolar até spin off. Mas a história é muito boa, vale a pena. Os traços também são muito bacanas.

Resumo: é divertido, é bem feito, é diferente. Vale a pena. Não é obrigatório, mas vale a pena.

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Cidade Eterna

Mulher Gato – Cidade Eterna – Jeph Loeb, Tim Sale – encadernado capa dura

Tudo, absolutamente tudo que sai da dupla dinâmica Jeph Loeb e Tim Sale é aclamado pela crítica. Nas histórias do mundo do Batman os dois sempre mantém o mesmo esquema, de usar a máfia para criar o enredo e… esse é o tipo de Batman que eu curto, mais noir, mais Gotham, menos Grant Morison, menos Liga da Justiça. Mas nesse Cidade Eterna o Batman só aparece fazendo ponta, por que a estrela aqui é Selina Kyle, e dessa vez é realmente uma estrela em algo relevante e não aquele filme medonho da Halle Berry ou o lixo de série Birds of Prey. Aliás, é a melhor mulher gato que já li ou vi, até do que o Batman 2, que mora nas minhas lembranças de infância, com aquele miau e mundo explodindo abaixo. A história se passa no meio dos acontecimentos do Batman Vitória Sombria, também da dupla, que é excelente por sinal, e fala sobre a gatinha de Gotham procurando saber histórias do seu passado em Roma. Eu amo a arte de Tim Sale, ele tanto tem um traço perfeito como ele abusa de seu colorista Dave Stewart para criar verdadeiras obras de arte pop, com cores contrastantes e muitos sólidos. Lindo lindo. Dava para tirar uns 90 posteres dessa HQ. Roma está linda e a Selina está esbanjando de sua sensualidade felina, todo mundo vai se sentir na pele do Charada, coadjuvante na história.

Resumo: não é exatamente do Batman, mas se encaixa no jargão de internet “é Batman, é cofre”, mas eu adapto para “é Jeph Loeb/Tim Sale, é cofre”. Pena que a HQ reapareceu nas livrarias e sumiu logo, afinal tava todo mundo na espreita. Mas duvido que não reaparece.

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Guardiões da Galáxia

Guardiões da Galáxia – Edição Especial – Dan Abnett, Andy Lanning, Paul Pelletier – encadernado capa cartonada

Todo mundo aprendeu a amar esses desconhecidos, e a Panini sabiamente jogou às bancas um encadernado com 6 edições para a galera torrar seus tostões, o que é uma tática desprezível, mas na boa, todo mundo queria ler alguma coisa deles. A estratégia que não foi exatamente a melhor. A história é muito bacana, os personagens são tão legais quanto os da tela do cinema, é uma oxigenada boa nesses mundos de heróis, mas… o encadernado não tem início e nem fim. Os acontecimentos são logo após a saga Aniquilação, onde o grupo se forma para uma guerra cósmica, junto com outra galera do espaço, enquanto rolava a Guerra Civil na Terra. Ou seja, quem não leu começa meio perdido, mas assim, dá para ler. O problema é que fica no ar o continua na próxima edição, que não está certo se vai rolar. Enfim… água no chope. Ainda se encontra em algumas bancas.

Resumo: é muito divertido, e se você já leu a saga Aniquilação, e se houvesse garantias de continuar os encadernados eu diria que é uma boa, mas sem esses itens, fica meio sem graça, perdidão ali no meio. Mas quem tá com abstinência da turminha do barulho espacial – onde não se ouve barulho – compra já que não é caro e bota a belíssima capa dela para frente em sua prateleira.

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Watchmen

Watchmen Edição Definitiva – Alan Moore, Dave Gibbons – encadernado capa dura

É quase desnecessário falar dessa obra aqui, mas como foi novamente relançado, vai lá e compra. A história é bem parecida com o filme que você provavelmente já viu, mas extendida, óbvio, aliás filme tem um certo grau de fidelidade que é interessante. Mas o bom de ler e não assistir, é que você tem tempo para ruminar a história, que eu achei muito complicado de acompanhar pelo filme. E ainda tem muita coisa além, é um estilo bem diferente de HQ. Se eles citam uma biografia, no final da edição tem 4 páginas dessa biografia, ou então uma reportagem. São 12 edições, todas terminando com 4 páginas de alguma leitura do universo de Watchmen. E a HQ vai sendo narrada em paralelo com outra HQ fictícia do universo Watchmen. Sensacional. Pra quem cansou de super heróis mas não quer cair de cabeça em graphic novel, Watchmen é esse ponto de equilíbrio entre os dois e com muita qualidade.

Resumo: é simplesmente a melhor HQ apontada por críticos no top 100 da Comic Book Resources, é Alan Moore, é um primor, é MUST HAVE!

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Gobbo

Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante (conhecida como Espírito Santo, no Brasil, acredite, esse lugar existe!), Gobbo perambulava por uma calçada quando, sem saber, andou em sincronia perfeita no tempo e espaço com um antigo ritual da tribo Roken Row, que despertou índios em estado inanimado em uma caverna do Téquissas, e então ele se transformou em… nada. Continuou sendo o mesmo cara, mas uma antiga profecia Roken Row diz que aquele que acionar os índios através do ritual, deve ser munido de toda cultura inútil quanto possível, para que assim ele possa fazer algo que não se sabe o que, mas que trará um grandioso resultado, que não se tem idéia. E desde então ele vem sendo observado sem notar, e tem absorvido uma quantidade absurda de informação desnecessária, tornado-o em: um cara comum qualquer que passa do seu lado e você nem nota.

  • Álvaro Xavier

    Muito legal ter um ponto de vista sobre essas HQs menos conhecidas. Fiquei interessado. Gostaria mesmo era de ser rico, poder comprar todas e ter tempo para lê-las