Zerei + um #008 – Grand Theft Auto IV

Olá amiguinhos! Hoje vamos falar de Grand Theft Auto IV, o meu primeiro GTA! Mas antes, uma breve introdução sobre o seu sucessor.

Corria o ano sagrado de Nosso Senhor de 2013. Mais precisamente o dia 17 de setembro. Grand Theft Auto V é lançado causando um estardalhaço no planeta e se tornando o produto de entretenimento (e isso inclui cinema, livros, séries e TODAS as formas de entretenimento já concebidas pelo ser humano) mais vendido nas primeiras 24 horas, de toda a história, rendendo uma quantidade pornográfica de dinheiro. Estou falando de US$ 800 milhõõõõõõõõões! (Abraço Sr. K), ou seja, apenas no primeiro dia após o seu lançamento, GTA V rendeu mais de US$ 33 milhões por hora à Rockstar. Essa era provavelmente a sala do San Houser no dia 18 de setembro de 2013.

Bad Blood

Diante desse alvoroço, eu me dou conta: “Porra! Eu nunca joguei nenhum GTA !!!”. Uma pequena pausa aqui para lembrar a todos que eu fiquei mais ou menos de 2000 à 2012 quase que completamente afastado do mundo dos games. Tudo o que eu sabia sobre a franquia era que se tratavam de jogos polêmicos, com violência e putaria, que a imprensa deitava o pau sempre que tinha oportunidade e culpava-o por fazer moleques retardados saírem atirando em todo mundo na escola.

Corri até a loja de games mais próxima com a intensão de sanar este problema (nunca ter jogado GTA). Obviamente eu queria GTA V mas ao perguntar ao vendedor ouço um “já cabô”. Pergunto a ele quando chegaria mais e qual seria o valor. A resposta não me animaria em nada. Ainda demoraria uns 15 dias para ele ter novamente em suas prateleiras o cobiçado jogo e o preço era o de lançamento, claro, R$ 199,00.

Diante do impasse eu me dou conta de que existem outros GTA’s e pergunto, quais ele tem. Ele me mostra outra prateleira e lá estão Vice City e San Andreas para PlayStation 2 (usados) e GTA IV (lacrado) para Xbox 360. Como eu ainda não tinha o PS2, optei por GTA IV, por R$ 99,00, um preço que cabia melhor no meu bolso no momento. O fato de ele ter sido lançado em 2008 não importava nada, já joguei coisas mais antigas e ainda tenho muita coisa pra jogar que foi lançada antes de 2008. Também levei em consideração o fato de que poderia comprar GTA V meses depois, por um preço mais barato e já estaria melhor habituado ao ambiente e a jogabilidade, o que de fato, meses depois aconteceu.

Voltei pra casa com GTA IV na sacolinha e aquele friozinho na barriga de criança quando ganha um brinquedo novo, mas só pode brincar quando chegar em casa. Sento no sofá, abro o game e aquele cheirinho de novo se espalha na sala. Ligo a TV e o videogame, coloco o disco pra rodar e pronto…. estão abertas a portas da esbórnia videogamística, o mundo de GTA IV era meu!

Re-ver isso, ainda me arrepia.

Foi amor à primeira vista. Tive todas aquelas catarses que a maioria de vocês provavelmente devem ter tido anos antes com GTA III, Vice City e San Andreas. Uma cidade inteira estava à minha disposição para fazer qualquer coisa, e eu fiz muita coisa. 6 horas depois, que me pareceram 20 minutos, eu já havia perdido as contas de quantos carros tinha roubado, quantas pessoas tinha atropelado sem motivo, quantas vezes tinha sido preso ou morto pela polícia. Andava sem rumo nenhum, tocando o terror e ouvindo rock na LRR 97.8 Liberty Rock Radio, que foi praticamente a minha trilha sonora para o jogo inteiro, disparada a rádio que eu mais ouvi, e estou ouvindo no momento em que escrevo este texto. Relembrem aí.

Depois de GTA IV dificilmente eu ouço outra coisa no carro que não seja alguma rádio de algum GTA, mas fiquem tranquilos, eu não fico com vontade de sair atropelando as pessoas na vida real. GTA IV era pra mim o paraíso da diversão, e ainda sem ter feito nenhuma missão da campanha principal.

Somente no segundo dia jogando eu resolvi me aprofundar na campanha e ser de fato Niko Bellic. “Hum, então quer dizer que eu sou um veterano da guerra civil iugoslava e ex-traficante de pessoas e preciso encontrar o FDP responsável pela morte de 12 companheiros da minha unidade militar, e enquanto isso posso sair com garotas ou até jogar boliche e sinuca? Bora!”

Uma das coisas que mais me impressionou na mecânica do game foram as infinitas possibilidades aleatórias que uma missão pode ser concluída, de maneiras completamente diferentes pelos jogadores espalhados pelo mundo. Me recordo de uma ocasião em que eu já estava na terceira tentativa de concluir uma determinada missão. Eu precisava perseguir dois carros e matar os seus ocupantes. No meio da perseguição acabei ultrapassando os carros, me perdi numa curva, bati num ônibus, o ônibus bateu na bomba de gasolina do posto da esquina, causando uma explosão que atingiu o próprio ônibus e os dois carros dos malacos. Saí do carro, e em meio ao caos total toca a musiquinha e a mensagem de missão concluída aparece na tela. Fiquei boquiaberto com a cena e pensando em quantos jogadores por aí concluíram essa missão dessa forma? Acredito que nenhum.

Foram mais de 4 meses explorando cada canto de Liberty City, e a medida em que eu percebia que o jogo iria acabar, a tristeza ia ficando maior. Ainda deixei várias missões secundárias sem fazer, só pra ter a possibilidade de re-visitar o game e fazer algo inédito sempre que quisesse, pratica essa que se tornou padrão pra mim em todos os games. Ao concluir a última missão da campanha principal e ver os créditos subirem levantei do sofá e mandei um sonoro “Aêêêê caraiooooo!”, afinal eu havia ganhado um activement na vida, zerar o meu primeiro GTA.

Antes de finalmente jogar GTA V eu ainda compraria um PS2 e jogaria GTA III, mas essas histórias ficam pra outro dia. E você? Qual foi o seu primeiro GTA? comenta aí!

Álvaro Xavier

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Álvaro Xavier

Após sobreviver a uma infância horrorosa sem Rede Manchete e nem videogames em casa, conseguiu aprender a tocar violão, montar uma banda e chegar a vida adulta com alguma bagagem cultural. O sucesso nos palcos (da sua cidade) além de dinheiro, lhe trouxe o abandono de vários empregos e a possibilidade de se tornar o maior colecionador de consoles e games do seu condomínio. Descoberto nos confins da internet por Patrick Orelha, se tornou estagiário do SpamCast em 2014 e agora enfim faz parte da podosfera numa tentativa desesperada de tornar sua vida patética um pouco mais interessante. Prato preferido: Batata Frita, Ovo Fito e SPAM frito!