A Experiência de Reassistir Breaking Bad

ACALME-SE!!! Esta publicação NÃO contém spoilers!

Este não é o primeiro texto aqui do site que fala sobre Breaking Bad. E tamanho o brilhantismo da obra, provavelmente não será o último.

Todas as qualidades e defeitos (sim, perfeição não existe) da série foram discutidos neste post e também em nosso Podcast sob o ponto de vista dos spammers participantes.

A intenção aqui é relatar a experiência que foi rever a série do início ao fim graças a uma indicação que fiz a outra pessoa: o meu irmão.

Quando comecei a assistir na primeira vez, Breaking Bad estava quase no fim. Fugi de todos os possíveis spoilers para não perder a magia da surpresa. E acreditem: foi assim durante a série inteira. Não sofri um spoiler sequer. Algo que, infelizmente, não consigo repetir com as outras séries que acompanho.

Finalizada, corri atrás de vários sites, vídeos e podcasts que tratavam do assunto. Tudo aquilo que na hora não percebi ou fiquei com dúvida, esclareci nessa devoração (esse termo existe?) de conteúdo. Nessas pesquisas, sempre que encontrava alguma curiosidade como easter eggs, frases ou elementos importantes; eu não procurava assistir depois para confirmar. Apenas absorvia a informação.

Enquanto isso tentava convencer meu irmão, que mora há quilômetros de distância, a assistir também. Ele sempre foi adiando até o momento em que decidiu assistir comigo, quando fosse visitá-lo durante as férias. Ou seja, decidiu me esperar.

walt-jesse-brosJá no primeiro dia em que estivemos juntos, iniciamos a maratona. Se é que poderíamos chamar assim, uma vez que levamos 30 dias para assistir. Isso porque não estava nos meus planos ficar parte das férias trancado num quarto, assistindo TV.

Foi aí que eu percebi o quanto foi prazeroso assistir novamente. Isso porque a cabeça havia amadurecido ao ponto de observar detalhes que na primeira vez não foram captados. O fator satisfação por ter gostado da série mais a enxurrada de informações que posteriormente busquei, deram um novo sentido a ela. E nesse “mergulho”, tudo foi levado em consideração nas observações: os detalhes, a parte técnica, cenário, enredo, atuações, perfil de cada personagem, o porquê de cada ação…

Sem contar outro fator importantíssimo: estava assistindo com alguém que nunca tinha tido aquela experiência. Presenciar a reação alheia em cenas marcantes da série foi bastante divertido. Além é claro de poder sentir novamente tudo aquilo. Só não darei exemplos aqui porque lá no início avisei que não teria spoiler.

No caso, o meu irmão teve uma certa vantagem ou desvantagem – pelo menos ele não reclamou – que foi o fato de prepará-lo em determinadas situações falando algo do tipo “Guarda essa informação”; “Preste atenção nesse detalhe”. Tudo isso sem entregar nada ou estragar a magia dele. De certa forma, contribuiu para que ele finalizasse a série com a história muito mais amarradinha. Como se ela já não fosse…

O fato de assistir com outros olhos, com a mente preparada, proporcionou uma sensação da qual me surpreendi. O episódio “Ozymandias”, antepenúltimo da série, mexeu comigo de tal forma que me deixou emocionado enquanto assistia e fez com que eu ficasse pensativo durante todo o dia seguinte. Ao longo da série, por muitas vezes, parecia que estava assistindo pela primeira vez. E este episódio, especialmente, foi um exemplo claro disso; tamanho impacto que me causou.

Vale lembrar que, nos últimos episódios, com a minha volta para casa, eu já não estava mais em companhia do meu irmão. Pelo menos fisicamente, já que assistimos em tempo real, à distância e de forma sincronizada, fazendo comentários via mensagens de voz. O que deixou o final muito mais emocionante.

Logo após a última cena da série, ficamos ainda por um bom tempo, na madrugada, conversando naquele climão já saudosista, fazendo nossos comentários e análises finais. Além disso, veio a mim o sentimento de dever cumprido de ter apresentado Breaking Bad a uma pessoa que correspondeu às minhas expectativas de satisfação.

Rever só me fez gostar mais ainda da obra. Posso dizer que antes, o consumo dela foi no caráter de diversão. Na segunda vez, o senso crítico aflorou. Geralmente quando assisto a um filme ou produção audiovisual, é com o intuito de me divertir sem bancar muito o cara que analisa tudo. Quando eu realmente quero fazer uma análise mais profunda, de caráter crítico, é quando assisto novamente. E Breaking Bad valeu a pena. Não que a série só seja boa na segunda vez. Na verdade, você confirma o encantamento pela obra.

Para não deixar de citar,  o final praticamente coincidiu de ser às vésperas da estreia de Better Call Saul, spin-off da série, onde também já comentamos aqui no site.

E, agora, voltar para Albuquerque e fazer parte daquele universo tudo de novo, com uma história inédita, é como reencontrar um velho e bom amigo.

Comentários do Facebook (Disqus tá lá embaixo)

Comentários do Facebook

Alex Rocha

Publicitário que saiu do meio da tórrida e úmida floresta amazônica para passar frio no sul do país. Descobriu que essa vida de Publicidade só dá fama, sucesso e dinheiro nos filmes e seriados estilo anos 60. Por isso, inventou de fazer uma coisa muito pior: ser podcaster. Hoje usa os conhecimentos publicitários para benefício próprio somente para dizer que anos de estudos e investimentos serviram pra alguma coisa.

  • Paulo Poltroniere

    Tive esse prazer há 2 dias atrás!, e digo sempre será uma serie recomendada por mim!

    Better Call Saul, Arrebentando!

    • Alex Rocha

      Acredito que a recomendação tem que ser para pessoas certas. Tem até uma galera pra quem que eu comento sobre a série, mas eu tenho certeza de que não irão curtir só pelos hábitos e preferências.

  • terminei a serie faz uns 4 meses… daqui quanto tempo devo começar a reassistir para reviver essa experiencia?

    • Alex Rocha

      Quando quiser, jovem. Poderia ser até no dia seguinte hehehe.

  • Adriano Gobbo

    Eu não tenho paciência para rever sistematicamente uma série… vejo episódios soltos passando aleatoriamente na TV, mas me programar para isso… meus parabéns para você!!

    • Alex Rocha

      Acho que sozinho eu não teria tanta disposição. O fato do meu irmão ainda não ter visto, a companhia dele foi o principal motivador.

  • Tiago Oliveira

    Eu passei por uma experiência parecida. Falava tanto da série, que um amigo resolveu assistir, e para isso me pediu companhia. Tudo bem, você me conhece bem, sabe que não foi nenhum sacrifício assistir tudo novamente, rs. Mas, ao contrario do seu irmão, meu amigo pedia que eu explicasse tudo durante os episódios… Que desse solução para coisas que se resolveriam apenas capitulos, ou temporadas a frente. Gostou da série, mas duvido que tenha sentido o mesmo que nós. Eu também fui um “spoiler free” em 100%.

    Interessante que Breaking Bad foi uma obra que me devolveu esse gosto, de consumir algo totalmente inédito, do qual eu não tinha recebido informação alguma, coisa rara hoje em dia. E eu não tive com quem comentar a série na época, o que me fez conjecturar fatos da série sozinho, recebendo diversas recompensas quando acertava as coisas na mosca. e sendo surpreendido quando estava enganado.

    Depois disso passei a valorizar muito esse “spoiler free”… E posso dizer que consumi diversas outras séries nessa condição: Sons of Anarchy, House of Cards, True Detective… Só para pontuar algumas. Fugir de spoilers é trabalhoso, mas vale muito a pena… Justamente para construir esse carinho pelas obras que você passa a gostar por conta própria, de forma genuína, sem influencias alheias!

    Enfim, parabéns pelo texto!

    • Alex Rocha

      Algumas coisas eu também tive que explicar, mas sem me aprofundar muito. Por muitas vezes eu dizia “calma que você vai já saber”. Nesse ritmo eu fui levando. É uma sensação muito bacana ver outra pessoa desvendando os mistérios e as surpresas da série.

      Valeu pelo comentário, Sancho!