Zerei + um #013 – Pac-Man

Olá amiguinhos! Hoje vamos falar um jogo que é tão conhecido quanto a Coca-Cola, o primeiro game da minha vida! Pac-Man!

O texto de hoje será repleto de nostalgia, pois preciso embarcar agora no meu DeLorean imaginário e voltar ao final dos anos 80, onde o pequeno e ranhento Álvaro não fazia idéia do que era videogame.

Em uma certa noite de 1988, eu estava no auge dos meus…. 5 anos de idade, eis que, estou mudando de canal na TV, naqueles botões giratórios no próprio aparelho. Em uma mesinha na sala, a majestosa Philips 24 polegadas, imagem em preto e branco. De repente ao passar por um canal em que sempre haviam apenas chuviscos, vejo um labirinto estranho, com uma bola que andava por ele enquanto comia uns traços e fugia de uns quadrados. A mágica da internet e do Photoshop, hoje em dia me permitem reproduzir a cena com uma fidelidade assustadora, pois o modelo da TV era exatamente esse!

Me arrepiei aqui
TV Philips 20

A cena se repetiu por alguns dias, e aquele “novo canal” foi ganhando cada vez mais a minha audiência. Eu ficava assistindo e torcendo pra tal bolinha se dar bem. Em nenhum momento eu me questionei que canal ou que programa novo era aquele, eu simplesmente assistia. Até que um dia brincando não me lembro de que com meu vizinho, eu resolvi contar a ele. “Cara, vc assiste um negócio que passa no canal 3? Uma bolinha comendo uns traços! Muito doido!”. Ele me olha assustado e pergunta: “Existe um programa do Come-Come?”. E eu: “hã? O que é isso? Come-Come?”. Acompanho ele até a sua casa enquanto ele fica falando do tal “Come-Come” super empolgado, contando-me que é um jogo que ele ganhou da mãe. Até aquele momento o único tipo de jogo que eu conhecia eram os de tabuleiro. Fiquei imaginado como seria uma versão daquele labirinto que eu via na TV em um tabuleiro.

Entro na casa dele, e ele me leva até a sala. Me entrega uma caixinha de plástico na mão e diz: “Esse é o jogo”. Uma caixinha exatamente como esta!

“Hã? Isso é um jogo?”
pac man

Com vergonha de me mostrar ignorante sobre o assunto, eu não perguntei como era possível aquilo ser um jogo, me limitei a dizer apenas “Legal, joga aí pra eu ver”. Então ele liga a TV, fato que me deixou mais perdido ainda, afinal achei que ele ia jogar um jogo, e não ver TV. Minha atenção se volta para a tela, onde algum desenho estava passando e lembro de pensar “Caramba! A TV deles é colorida!”. Ele coloca no canal 3, onde só há chuviscos, como deve ser, e eu o interrompo “É nesse canal que eu vejo a bolinha a noite!”. Ele encaixa a caixinha de plástico em um aparelho preto ao lado da TV que até então eu não havia notado, mexe em algo que faz um “treck” e o que acontece a seguir é uma das maiores explosões de cérebro que eu já tive na vida!

O mesmo labirinto, a mesma bolinha, tudo como eu via na minha casa, mas colorido e com som! E o mais incrível, ele controlava a bolinha! Eu não conseguia ouvir uma palavra do que ele dizia, provavelmente explicações de como aquilo funcionava, mas eu estava de olhos grudados na TV! Aquilo era o brinquedo mais foda do universo! E o meu vizinho tinha um!

Ele me entrega uma alavanca de plástico pela qual controlava a bolinha e diz, “joga aí, é só mexer para o lado que você quer que o Come-Come ande”. Nem preciso dizer que fiz tudo errado. Em segundos aquele quadrado estranho encostou na bolinha e ela abriu a boca e virou do avesso. Meu amigo só ria. “Você tem que fugir dos fantasmas e comer tudo pela frente para ganhar pontos”. Eu estava completamente sem reação. Como assim? Eu estava controlando um objeto na TV? Isso era inconcebível! Naquele momento, começava a minha trajetória gamer.

Passada a surpresa do que estava acontecendo eu consegui me divertir um pouco. Comecei até a fazer uns pontos, mas meu amigo era bem melhor, lógico. Passei a praticamente morar na casa dele só para jogar. Descobrimos que o que eu assistia na minha TV era ele jogando. Por alguma mágica, o jogo era transmitido, e quando eu não estava jogando na casa dele, estava na minha assistindo a ele jogar. Chegou ao ponto de eu mentir para a minha mãe que estava indo para a escola, mas na verdade só pulava o muro e ficava jogando videogame na casa ao lado. Quando ela descobriu tomei uma surra épica, da qual me lembro até hoje.

Mais tarde, outros meninos da rua também tinham videogames, e outros jogos. Eu fui o único que nunca teve, provavelmente por ter faltado na escola durante uma semana por causa do tal aparelho. Anos depois descobri que a versão original de Pac-Man vinha dos arcades e era bem melhor. Tenho essa versão atualmente no smartphone, olha meu record atual aí, 26800.

paccelular

Quando finalmente comprei um Atari 2600 em 2012, logo fui atrás de um cartucho Pac-Man, e pude recuperar essa parte da minha infância. Mais de 20 anos depois, agora sem depender da minha mãe pra isso, eu finalmente podia jogar Pac-Man a qualquer hora. No momento minha pontuação é essa aí.

pacatari

Eu tenho sorte por ter uma boa memória, e poder lembrar dessas coisas. Esse foi apenas um dos momentos fantásticos da minha infância, e jamais vou esquecer. Por isso tudo o Atari 2600 e a sua versão de Pac-Man estarão pra sempre no meu coração.

E vocês hein? Qual foi o primeiro game das suas vidas? Eu quero saber! Me conta aí nos comentários!

Álvaro Xavier

Leia o texto anterior sobre Assassin’s Creed: Brotherhood

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Álvaro Xavier

Após sobreviver a uma infância horrorosa sem Rede Manchete e nem videogames em casa, conseguiu aprender a tocar violão, montar uma banda e chegar a vida adulta com alguma bagagem cultural. O sucesso nos palcos (da sua cidade) além de dinheiro, lhe trouxe o abandono de vários empregos e a possibilidade de se tornar o maior colecionador de consoles e games do seu condomínio. Descoberto nos confins da internet por Patrick Orelha, se tornou estagiário do SpamCast em 2014 e agora enfim faz parte da podosfera numa tentativa desesperada de tornar sua vida patética um pouco mais interessante. Prato preferido: Batata Frita, Ovo Fito e SPAM frito!

  • Adriano Gobbo

    Rapaz… Pac-man… Eu achava chato, sorry… mas é nostálgico então minha memória afetiva gosta de pac-man…

    • Álvaro Xavier

      Pois é, já pra mim, foi de explodir a cabeça.

  • Alex Rocha

    Parabéns pelo texto!

    Eu mesmo nunca fui fã desse jogo. Talvez porque, apesar de ter a mesma idade que você, eu não peguei a fase Atari.

    Meu primeiro jogo, de pegar o controle e ficar com os olhos brilhando na TV foi o Sonic no Mega Drive.

    Agora… Fiquei com dúvida em uma coisa que achei que você fosse esclarecer no
    texto: a tua TV pegava o sinal da TV do vizinho? Que doideira é essa que
    eu não entendi?

    • Álvaro Xavier

      Sim! Pegava o sinal dele, isso era bem comum
      Na verdade, se repetiu quando outro moleque que morava em frente a minha casa comprou um Dactar. De alguma maneira as tvs antigas captavam a transmissão do jogo via antena.

      • Alex Rocha

        Que loucura. Não sabia dessa parada.

  • Hector Waltricke Correa

    com certeza uma lembrança épica, texto muito bom eu me senti um álvaro da vida lembrando quero dizer lendo esse texto, obrigado pelas falsas memorias cara kkk, meu primeiro game foi duckhunt no meu dynavision de pistolinha kkkkkkk

    • Álvaro Xavier

      AHAHAH, Clássico !!! valeu cara!

      • Hector Waltricke Correa

        por nada cara, merece o reconhecimento kk

  • Fala Xaveco! Muito bom o texto cara, parabéns!! Bateu uma nostalgia grande aqui também! Minha experiência foi quase parecida, a diferença é que eu assistia meu pai jogar o que eu chamava de Ayrton Senna…que na verdade era ENDURO!! Eu não lembro de quando o Atari apareceu lá em casa, só lembro que ele estava lá, presente. Sei que o Enduro foi o meu primeiro jogo, mas o meu preferido era o jogo do Superman, o da cabine telefônica! =) Fica na minha lembrança também o PIQUE ESCONDE!! Esse era surreal!! Outro que eu jogava e gostava muito era River Raid…e tinha um de esportes que era o quebra controles sinistro…não lembro o nome…

    • Álvaro Xavier

      AHH, o famoso decatlon !!! muitos controles esbugalhados!

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