Zerei + um #014 – International Superstar Soccer Deluxe

Sim!!! Hoje eu invadi o quadro Zerei + 1 para falar de futebol! Mais precisamente sobre aquele que fez muito sucesso nos anos 90. Estou falando do International Superstar Soccer Deluxe!

Minha estreia no universo do Super Nintendo aconteceu de forma tardia, já na adolescência. Quando tive um, ele estava saindo de linha e um tal de Nintendo 64 começava a dominar o mercado.

Contudo, nada me impediu de me divertir, durante alguns anos antes, com os SNEs de amigos, primos e, é claro, das saudosas locadoras.

Foi em uma dessas locadoras, primeiramente localizada em um shopping center, que conheci o maravilhoso mundo dos games de futebol. Eu sempre gostei e acompanhei o esporte (hoje sem fanatismo). Em meados de 1995 ou 96, eu era um pré-adolescente que era fascinado pelo esporte e por isso surgiu também o interesse por games desse segmento.

Nessa locadora, apesar de se alugar a hora e poder jogar sentado, a tela e os controles eram no formato de arcade. Havia vários jogos de futebol, mas um deles me chamou a atenção. Porque era o melhor.

As horas passavam voando naquele recinto. Na maioria das vezes, eu voltava pra casa com muita dor de cabeça. Mas, feliz da vida.

Um ano depois, perto da escola, abriu uma locadora daquelas convencionais: com o console debaixo da mesa, televisão de 20 polegadas com o a função sleep acionada para controlar o tempo, essas coisas… Ali foi uma perdição. Juntava eu mais três ou quatro amigos e ficávamos horas jogando depois da aula. Às vezes durante, mas não espalha…

Havia dias em que todos os oito televisores com Super Nintendo (os outros 5 eram com Nintendo 64, Sega Saturno e Playstation 1) estavam tomados pela tela verde. Mas, afinal, o que foi essa febre chamada International Superstar Soccer? O Deluxe, é claro.

international-superstar-soccer-deluxe-usa
Arte da caixa do jogo original.

O jogo foi uma versão melhorada do seu antecessor que levava o mesmo nome, mas sem o ‘Deluxe’. O tempo de lançamento de um para o outro levou poucos meses. Como meu primeiro contato foi com o sucessor, sempre achei o jogo de estreia muito ruim. Obviamente que não era frescura da minha parte. O Deluxe foi uma febre entre a molecada.

Produzido pela Konami, o game trazia o que existia de mais moderno em gráficos e jogabilidade, em comparação a outros contemporâneos. Além disso, possuía algumas características como seguem:

Times

No total eram 36 seleções internacionais (não havia clubes). 24 delas foram participantes da Copa de 1994.

Torneios

Além das opções de amistoso e disputa de pênaltis, contávamos também com o International que era tipo a Copa do Mundo, contando inclusive com a fase de eliminatória continental; o World Series que tinha o formato de liga com pontos corridos; a Short League e o Short Tournament que eram torneios curtos de pontos corridos e mata-mata respectivamente; e o Scenario que era vários jogos em andamento onde você tinha que desempatar ou conseguir uma virada com o propósito de eliminar todos esses desafios.

Campos

Havia oito opções de campo, que diferenciavam-se pela textura e dimensões do gramado. Além disso era possível também escolher as condições de clima: sol, chuva e neve.

Uniformes editáveis

Você poderia mudar as cores dos uniformes por meio da paleta RGB nas configurações da partida.

Password

Sim! Você poderia salvar um campeonato, caso quisesse continuar mais tarde. O problema é que dava um trabalhão anotar todos os caracteres e símbolos fornecidos pelo jogo.

Jogadores

Não havia licença para utilizar o nome real dos jogadores, contudo a aparência de muitos deles deduziam quem eles eram na vida real como Murillo (Valderrama/Colômbia), Ewing (Lalas/EUA), Galfano (Roberto Baggio/Itália), Fuerte (Cannigia/Argentina), entre outros. Obviamente, jogadores reais da época. Um desses jogadores com nomes fictícios era especial, mas falarei dele depois.

Surpresas e Bugs estranhos

O jogo contava com alguns erros que acabavam se tornando aliados. Como por exemplo, a tática de fazer gol de fora da área na saída da bola. Também a possibilidade de se fazer 99 gols com o goleiro. Tinha também um bug no gráfico, quando você optava por ter 7 jogadores na linha e eles tinham aparência diferentes. As cabeças ficavam quadradas.

Como surpresa, tínhamos o juiz cachorro, por meio do código feito com o Controle 2, na tela de abertura do jogo, que consistia no seguinte: Cima, Cima, Baixo, Baixo, Trás, Frente, Trás, Frente, B, A.

Havia também a homenagem no telão do estádio sempre que um jogador marcava três gols. Hoje ele pede música no Fantástico.

ronaldinho_soccer_97
Tela de abertura adaptada para o jogo pirata.

A popularização do jogo no Brasil se tornou maior quando começaram a aparecer as versões piratas. Isso porque elas tinham algo de diferente: contavam com times brasileiros. O que fizeram? Pegaram o ISSS e sobre ele editaram os times, aparência dos jogadores, uniformes, textos, imagens e até a narração. Um portunhol fanho onde não se entendia a metade do que era dito.

O primeiro pirata que pintou por aqui foi o Campeonato Brasileiro 96, inspirado no campeonato nacional daquele ano. No ano seguinte, com o sucesso do Ronaldo Fenômeno na Europa, foi lançado o Ronaldinho Soccer 97 (a voz bizarra da abertura do jogo vem meio que automática ao dizer isso).

Além dos times brasileiros, também havia alguns principais da Europa e América do Sul. Como o jogo foi uma cópia adaptada do ISSS, eu sabia quais times eram lá no jogo original. O Flamengo, por exemplo, era a Alemanha. O Vasco, era a Irlanda do Norte; Palmeiras, a Holanda; Cruzeiro, a Italia e o Boca Juniors era o Brasil.

FP97-thumb-400x345
Tela de abertura para a versão peruana.

E os piratas não surgiram só aqui, mas em toda a América Latina como o Campeonato Argentino, Peruano e Equatoriano.

Depois, ainda chegaram a lançar o Ronaldinho Soccer 98 e o Campeonato Brasileiro 99; além do France 98 que, apesar de ser parecido com o ISSS original por ter seleções, também era uma versão pirata com tudo adaptado.

Em 2007 chegaram a criar uma versão do Campeonato Brasileiro para emuladores, com o intuito principal de despertar a lembrança saudosista. E se você pesquisar, você já encontra até o do Campeonato Brasileiro 2015.

Devo confessar que nunca tive o ISSS original, mesmo tendo jogado muito em locadoras. Como fui ter o meu Super Nintendo muito tarde; no dia da compra, coloquei no pacote o Ronaldinho Soccer 97. Foi o jogo que mais joguei na vida. Zerei todos os torneios disponíveis.

E quando os torneios disponíveis acabaram, eu mesmo criei. Eu tinha folhas e folhas de papel almaço onde criava tabelas a punho e reproduzia em forma de amistoso no jogo. Cheguei inclusive a criar torneio de seleções, reproduzindo fielmente todos os uniformes por meio da escala RGB, fielmente anotadas com base no jogo original. Coisa de maluco mesmo. E eu adorava.

Alguns anos depois, em posse de um Nintendo 64 que pertencia ao meu irmão, comprei o ISSS 2000 que era o jogo no formato 64 bits. Na minha opinião, é o melhor game de futebol em se tratando de times. Isso porque tinha seleções do mundo inteiro, coisa que sinto falta nos jogos da geração atual.

Por falar em geração atual, já faz um bom tempo que estou sem console em casa. Quando jogo é na casa de outras pessoas. E sempre é o futebol. Meu próximo videogame eu não sei qual será, mas uma coisa é certa: o primeiro jogo será um de soccer. Seja o FIFA ou PES (que já foi o ISSS e que hoje não está com essa bola toda).

102579
Allejo após fazer 3 gols em uma partida.

Allejo: o craque dos craques

Deixei para o final, porque merece uma atenção especial.

Um dos nomes fictícios criados para os jogadores do ISSS é, sem dúvidas, o maior craque da história do futebol. Pelo menos no mundo dos videogames. Estou falando de Allejo, o mito da camisa 7 do Brasil. Se os jogadores do game faziam referência aos jogadores da vida real, quem seria o Allejo? Com base na escalação da Copa de 1994, grande influência da criação do jogo, o Allejo na verdade era o Bebeto.

Mas por que Allejo era tão craque assim? Primeiramente porque o time do Brasil era o mais forte do jogo e consequentemente seus atributos como jogador também eram. Como um homem (ou conjunto de pixels) de frente, toda bola que chegava aos seus pés era gol na certa. E dependendo do domínio com o controle, era possível fazer muitos golaços.

A propósito, quando citei que nas versões piratas o Brasil era o Boca Juniors, o Allejo no caso era o Cannigia. Claro que com as transformações de aparência. Mas era o mesmo futebol e habilidade que o fizeram ídolo.

O nome de Allejo hoje está vivo na memória de muitos, principalmente dos que fizeram parte da geração 16 bits. Virou um ícone pop da cultura gamer. Mas, como costumo dizer: o Allejo não seria nada sem os passes açucarados do Gomes.

Agora, se você me dá licença, todo esse papo me fez ficar com vontade de jogar International Superstar Soccer Deluxe aqui no emulador. #Partiu!

Alex Rocha

Leia o texto anterior sobre Pac-Man

Leia o próximo texto sobre Grand Theft Auto III

Comentários do Facebook (Disqus tá lá embaixo)

Comentários do Facebook

Alex Rocha

Publicitário que saiu do meio da tórrida e úmida floresta amazônica para passar frio no sul do país. Descobriu que essa vida de Publicidade só dá fama, sucesso e dinheiro nos filmes e seriados estilo anos 60. Por isso, inventou de fazer uma coisa muito pior: ser podcaster. Hoje usa os conhecimentos publicitários para benefício próprio somente para dizer que anos de estudos e investimentos serviram pra alguma coisa.

  • Gustavo Costa

    Jogaço. E Janco Tianno era melhor que o Allejo! Hahahaha

    • Alex Rocha

      Mas não era mesmo.

  • Anderson Rocha

    De fato, foi loucura você passar um sábado inteiro (ok, exagerei… de manhã ate o inicio da noite) copiando o RGB dos uniformes do jogo original que fora emprestado!

    Enquanto eu agoniado querendo jogar SMW, ou outro jogo, não lembro, hahaha!

    • Alex Rocha

      Sem contar que fiz algo parecido com o ISSS 2000 do Nintendo 64, onde editei e salvei o nome dos jogadores das principais seleções, com uma Revista Placar em mãos.

      • Anderson Rocha

        Nossa cara, comeu todo o Memory Pack essa m***a! Hahaha!

  • Pingback: Zerei + um #015 – Grand Theft Auto III - SpamCast()

  • Adriano Araujo da Rocha

    Belo texto e otimas lembranças…acho q eu era mais sagaz do que você com essas edições…rsrsrs….no começo eu e um amigo juntavamos 6 (eu disse 6!) amigos e jogavamos aquela lendaria short league durante toda tarde e inicio da noite…depois começamos a consumir cadernos de 20 materia anotando todos os jogos da world series…e depois q consegui zerar todos os modos de jogo, descobri a revista placar e suas tabelas,…tirava cópia delas e ia simulando jogo a jogo delas no modo amistoso…inclusive arrumando os uniformes pra ficarem o maximo possível parecido com os dos times do campeonato paulita, carioca, baiano, mineiro, gaucho e etc…peguei meu psp esse dias e quando fui ver fiquei umas 3 horas da minha manhã jogando ISSD…na epoca eu nem percebia o nivel de ladroagem monstro dos goleiros no jogo…ah, e graças a Deus só descobri o bug do jogador com a bola do lado de fora do campo na era internet…hehe..abs!