Zerei + um #015 – Grand Theft Auto III

Olá amiguinhos! Hoje vamos falar um jogo que em sua época (2001) chegou arregaçando tudo! Grand Theft Auto III, o primeiro sandbox!

Anteriormente eu falei do GTA IV (leia o texto aqui) jogo pelo qual eu adentrei na franquia. Pois bem, alguns meses depois, e ainda na agonia de jogar o GTA V de uma vez, eu retornei à aquela mesma loja de games, na esperança de que agora o jogo estaria com um preço mais acessível, não era o caso. Mas como quem não tem cão caça com gato, mais do que depressa me apoderei de um exemplar semi-novo de GTA III, para PlayStation 2 que estava pela bagatela de R$ 80,00. GTA é uma das poucas franquias que eu não sigo aquela regra de jogar na ordem em que os jogos foram lançados.

Demorei um pouco a me habituar com a jogabilidade antiga e os gráficos de quase 15 anos atrás. Afinal eu tinha ficado mal acostumado, com GTA IV em HD e todas as possibilidades que ele oferece. Claro que eu jamais teria a mesma sensação de quem jogou na época, mas a TV 29 polegadas de tubo ajudou bastante. Eu sempre procuro reproduzir a experiência com a maior fidelidade possível, para aproveitar melhor cada detalhe e isso foi primordial para que eu me transportasse para 2001 sempre que ligava o console. Dentro de uma hora ou duas, já na primeira vez que joguei, consegui isso fácil e Liberty City era toda minha novamente!

Desta vez eu era Claude Speed. O bandido que levou um tiro na garganta da própria namorada e acabou ficando mudo. A safada traiu ele durante um golpe a um banco e agora Claude precisa trabalhar para alguns chefões do crime, para conseguir dinheiro, reputação e se vingar da vadia.

Algumas coisas que me incomodaram muito. O fato de o protagonista não falar, o sistema de mira e o controle da câmera. Vamos por partes. Eu sei que isso é uma questão de roteiro, mas Claude mudo, me pareceu um tanto quanto sem personalidade, já que os gráficos da época estavam longe de proporcionar alguma expressão facial mais detalhada como vemos hoje. E o sistema de mira, eu só fui a aprender a usar bem mesmo quando me aventurei por Vice City no jogo seguinte. Eu preferia usar granadas e matar bandidos atropelando-os. Em relação a câmera, eu estava acostumado ao controle dela como é em GTA IV onde você gira a câmera e continua vendo o personagem em terceira pessoa. Em GTA III quando você move o R3 para olhar para o lado, a visão se torna em primeira pessoa. Me atrapalhei pra cacete com isso em situações onde tinha que correr atrás de alguém a pé.

As rádios do jogo, embora com bem menos músicas do que nos seus sucessores, são fantásticas, e sobre uma delas eu preciso me estender um pouco aqui. Imaginem a minha surpresa ao sintonizar a Flashback 95,6 pela primeira vez e descobrir que todas as suas músicas fazem parte da trilha sonora do meu filme favorito de todos os tempos, o meu Top One! Scarface (1983). Andar tocando o terror por Liberty City ouvindo Push It to the Limit, Rush Rush, She’s On Fire, Shake It Up e I’m Hot Tonight era demais. Eu me sentia o próprio Tony Montana. Mal sabia eu o que viria pela frente em Vice City mas essa história contarei outro dia. Por hora, ouçam aí a Flashback 95,6

O mais legal, é que desde essa época, GTA já permitia que você finalizasse uma missão de diversas maneiras possíveis, proporcionando situações que dificilmente aconteceram com outros jogadores. Eu até falei disso no texto sobre GTA IV. Fiquei bem surpreso quando aconteceu algo semelhante em GTA III. Eu falo especificamente da missão Two Faced Tanner. O objetivo é eliminar Tanner, um policial infiltrado na Yakusa. Ele foge de carro e é preciso persegui-lo e matá-lo de algum jeito. O mais óbvio a se fazer, me pareceu ser bater no carro do cara várias vezes até fazê-lo explodir, o problema é que assim que o jogador parte para o ataque a polícia cai matando em cima e torna quase impossível continuar com a perseguição. Mais tarde eu descobri que bastava emparelhar com o carro dele e metralhá-lo em movimento mesmo, segurando R2 ou L2 para ter a visão lateral do veículo, como nesse vídeo aí.

Porém eu não dominava essa técnica ainda e fiquei insistindo no “jeito errado” de concluir a missão. Depois de inúmeras tentativas eu finalmente consegui e é aí que está a beleza do jogo.

Eu consegui de um jeito completamente inusitado. Após perceber que tentar bater no carro de Tanner não dava muito certo, eu bolei uma nova estratégia. Já sabendo por quais ruas ele seguiria, me adiantei no trajeto. Desci do carro e fiquei esperando ele passar. Ao vê-lo virando a esquina lancei uma granada no meio da rua, calculando o tempo em que ela explodiria para que coincidisse com o momento em que o carro passaria próximo a granada. Isso envolveu um raciocínio bem complicado, em algumas vezes ela explodia antes, outras depois. No momento da explosão o jogo entendia que eu iniciei o ataque e por eu estar a pé, um exército de viaturas da polícia partia pra cima e me atropelava. Na terceira tentativa dessa estratégia calculei com precisão e a cena foi linda. Booooom!!! a granada explodiu fazendo o veículo erguer um lado, e andar em duas rodas. Eu estava parado no meio da rua enquanto o carro avançou pegando fogo na minha direção e no reflexo eu dei aquele passinho para o lado, tipo o Romário desviando do chute do Branco no golaço contra a Holanda na copa de 94. Para que Tanner morresse, o carro deveria explodir, e isso leva alguns segundos após o veículo incendiar. No momento da explosão da granada as sirenes tocaram, a polícia veio pra cima, eu dei o passinho pro lado, o carro de Tanner passou em duas rodas pegando fogo a centímetros de mim, eu girei a câmera em direção a ele para ver se daria certo, e a polícia vindo. Boooom, o carro de Tanner explodiu, pulei da cadeira comemorando, a mensagem de “missão concluída” apareceu na tela no momento em que uma viatura freava na minhas costas prestes me matar. A viatura deu meia volta e foi embora. Ufa, ainda bem que no videogame eles sempre esquecem. Foi bem mais legal do que concluir a tarefa em poucos segundos como no vídeo aí acima.

Foi demais ter a oportunidade de conhecer um jogo mais antigo da franquia. Ao terminar me senti feliz ao lembrar que ainda existiam muitos GTA’s a serem explorados por mim. É como o desejo de ter o filme favorito apagado da mente para poder ter novamente a sensação de vê-lo pela primeira vez. E falando em filme favorito, GTA Vice City me aguardava…

E vocês galera. Jogaram GTA III na época? No console? No PC? Nunca jogaram? Me contem aí nos comentários, quero saber das suas peripécias por Liberty City!

Álvaro Xavier

Leia o texto anterior sobre International Supestar Soccer Deluxe

Leia o próximo texto sobre Angry Birds

Outros Textos Sobre a Franquia

Grand Theft Auto IV

Comentários do Facebook (Disqus tá lá embaixo)

Comentários do Facebook

Álvaro Xavier

Após sobreviver a uma infância horrorosa sem Rede Manchete e nem videogames em casa, conseguiu aprender a tocar violão, montar uma banda e chegar a vida adulta com alguma bagagem cultural. O sucesso nos palcos (da sua cidade) além de dinheiro, lhe trouxe o abandono de vários empregos e a possibilidade de se tornar o maior colecionador de consoles e games do seu condomínio. Descoberto nos confins da internet por Patrick Orelha, se tornou estagiário do SpamCast em 2014 e agora enfim faz parte da podosfera numa tentativa desesperada de tornar sua vida patética um pouco mais interessante. Prato preferido: Batata Frita, Ovo Fito e SPAM frito!