Zerei + um #020 – Mortal Kombat

Olá amiguinhos! Hoje vou falar sobre um dos maiores cláááááááásicos da história dos games! O épico, o sanguinário, o polêmico Mortal Kombat!

O ano era 1992 e o mundo pirava jogando Street Fighter II lançado um ano antes (leia meu texto sobre ele clicando aqui). De repente, eis que surge um concorrente à altura. Ainda me lembro de alguns amigos falando “Cara!! Chegou um novo fliperama de luta lá no boteco da Dona Rosa, véi… véi… véééi… O NINJA ARRANCA A CABEÇA DO OUTRO CARA NO FIM DA LUTAAAAA!”

Isso era estarrecedor!

Eu, na época com 9 anos de idade, não acreditava no que via na tela. O ninja realmente arrancava a cabeça do outro cara, com coluna vertebral e tudo e isso era apenas um dos golpes sanguinários que o jogo trazia. E mais, os lutadores não eram desenhados. Eles eram “igual na vida real”. Aquilo era absurdo, visto que apenas dois anos antes o jogo de luta que eu conhecia era esse:

boxing

A chegada daquele novo arcade no boteco da Dona Rosa foi um acontecimento épico. Filas se formavam para jogar. Platéias de moleques ranhentos e fedendo suvaco se empilhavam para ver aquilo e descobrirem juntos como era o fatalitie de cada lutador. Na primeira vez que alguém chegou ao final do jogo foi uma festa (não fui eu, claro). Me lembro de quando o cara que estava jogando chegou ao penúltimo adversário, o Goro. A reação de espanto foi coletiva ao ver pela primeira vez aquele monstro de quatro braços em ação. Quando chegou a vez do último lutador, o Shag Tsung, ninguém ligou. “Ah esse velhinho aí vai ser fácil”. E segundos depois todos berravam “ELE SE TRANSFORMA NOS OUTROS LUTADOREEEEESSSS O_O” Na época quem conseguia tal proeza gastava uma grana com fichas até descobrir as manhas. Hoje em dia videos como esse aí ensinam tudo.

Eu não usei esse vídeo pra zerar o jogo, juro.

Um ano depois apareceu a versão para consoles e com ela uma das maiores polêmicas da história dos games. A versão para Super Nintendo teve os fatalities e todo o sangue retirados do jogo, enquanto que no Mega Drive bastava executar um código para habilitar a carnificina, o famoso A B A C A B B. Estava sacramentado. O Mega Drive era um videogame pra macho e o Super Nintendo era um videogames para garotinhos criados a leite com pêra e ovomaltino (abraço Gustavo sem testa)

megasnes

Na época não consegui zerar o jogo. O arcade era disputado a tapas e toda vez que eu conseguia a chance de jogar era por que algum amigo pagava uma ficha, e dificilmente eu durava mais de duas lutas. Quando a versão dos consoles chegou só me faltavam duas coisas. O jogo e o console. Sendo assim a política do “perdeu passa o controle” que rolava nas locadoras e nas casas dos amigos, nunca permitiu que eu pudesse jogar sozinho e até o fim.

Mas os anos passaram, hoje tenho uma pequena coleção de jogos em casa, e eis que, recentemente em um belo sábado, eu acordei sete e meia da manhã e o pensamento que me veio foi “hoje eu vou zeram Mortal Kombat” Fiz uma bela xícara de café e liguei o PlayStation 2. Isso mesmo, o PS2. É que tenho a versão arcade de Mortal Kombat, em um DVD aqui que reúne os 3 primeiros jogos e roda no PS2, comprado no camelô mesmo. Escolhi o Liu Kang, meu lutador favorito. Em pouco mais de 40 minutos eu estava comemorando meu feito. Mais de 20 anos tinham se passado, mas eu finalmente havia derrotado aquele velhinho que se transformava em todos os lutadores. Desliguei o PS2 e liguei o Super Nintendo. Cartucho original e tudo, mas sem sangue, uma pena. Repeti a jornada e pronto, pouco antes das 9 da manhã eu era o gamer mais feliz do mundo, por finalmente ter pago mais essa dívida. Ainda não tenho a versão de Mega Drive, mas tá na lista.

E esse foi apenas o começo dessa franquia que está aí até hoje fazendo a gente pirar vendo tanto sangue. Mas me contem aí nos comentários, vocês zeraram o primeiro jogo? Como foi? Você tinha a revista Super Game Power com os fatalities? Ou você tinha anotado num caderninho como eu? Qual o seu lutador favorito? E o seu fatalitie favorito? Cozinhei um quilo de arroz, se eu cozinho é meu?

Álvaro Xavier

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Álvaro Xavier

Após sobreviver a uma infância horrorosa sem Rede Manchete e nem videogames em casa, conseguiu aprender a tocar violão, montar uma banda e chegar a vida adulta com alguma bagagem cultural. O sucesso nos palcos (da sua cidade) além de dinheiro, lhe trouxe o abandono de vários empregos e a possibilidade de se tornar o maior colecionador de consoles e games do seu condomínio. Descoberto nos confins da internet por Patrick Orelha, se tornou estagiário do SpamCast em 2014 e agora enfim faz parte da podosfera numa tentativa desesperada de tornar sua vida patética um pouco mais interessante. Prato preferido: Batata Frita, Ovo Fito e SPAM frito!

  • Gustavo Costa

    Caraca, lembrou de boxe do Atari ainda. Post mito e cheio de testosterona. Gobbo “não gosto de boxe e MMA” vai chorar hard.

    • Álvaro Xavier

      ahahaahahahahaha

  • Hector Waltricke Correa

    Sempre fui péssimo em games de luta kkk

    • Álvaro Xavier

      Eu também!!!

  • Alex Rocha

    Muito bom!!

    Nunca zerei Mortal Kombat. Mas é porque jogo de luta eu só gostava de jogar de dois.

    • Álvaro Xavier

      É só questão de sentar na frente do console e jogar 🙂

  • Sou horrorível em jogos de luta, mas mortal kombat tá um nível acima… Muita inovação… Curtia demais…

    • Álvaro Xavier

      Na quinta e sexta geração (Ps1 e Ps2) a franquia desandou bunito, mas voltou aos eixos em 2011

      • Gustavo Costa

        Para mim, o melhor MK EVER é justamente da geração PS2. Shaolin Monks. Não tem como ficar melhor que aquilo. Misturar Mortal Kombat com beat’em up é muito, muito melhor que 1 x 1.