Jaspion na Netflix: só não vale achar ruim.

Foi anunciado, há poucos dias, que a Netflix pretende incluir em seu catálogo brasileiro as famosas séries tokusatsu que tanto animaram crianças e adolescentes nos anos 80 e 90.

Na citada lista estão Changeman, Flashman, Jiban, Jiraiya, National Kid, Black Kamen Rider e o meu preferido: Jaspion. Além de algumas novidades.

Lógico que, na casa dos meus 30 anos de idade, eu me empolguei com a notícia. Muita gente, inclusive. Mas algo está em discussão nos fóruns, nas redes sociais: a qualidade deste conteúdo.

Há pouco mais de três anos, procurei por alguns episódios do Jaspion para assistir. No Youtube tem praticamente todos eles espalhados em vários canais, nas mais variadas condições de áudio e imagem.

Antes de assistir, eu me coloquei na realidade de que quando consumia a série eu era uma criança que pouco se importava com roteiro, interpretação, efeitos especiais ou qualquer outro elemento de uma produção audiovisual. Eu apenas me divertia. O episódio acabava e eu ia para a rua reproduzir as cenas de luta com os amiguinhos.

jaspion-spamcastSabendo disso, tentei abrir a mente e não me prender em qualquer tipo de crítica. Sabia que tudo seria tosco, mal feito, com bonecos de borracha, fantoches… Respirei fundo e cliquei no play.

Obviamente que percebi todos esses detalhes. Inclusive tem um episódio sobre um monstro marinho que, em um momento de mar agitado, uma embarcação é atingida. Leia-se mar agitado, caixa d’água sendo sacudida e embarcação, barquinho de plástico.

Ao final da saga fiquei feliz por ter relembrado a minha infância. O sentimento de nostalgia me fez muito bem durante aquele período. Principalmente por causa das músicas. Eu me senti até mais jovem. E sempre faço isso quando quero me sentir bem: saio caçando filmes, animações e séries antigas.

 

O que me preocupa com a exibição dessas séries na Netflix é o fator senso crítico. Por mais que elas despertem em nós, viventes oitentistas, o sentimento de nostalgia; acredito que muita gente, conforme li em muitos comentários, vai se recusar a assistir para preservar a infância. A tal regra dos 15 anos corre o sério risco de ser levada a sério para muitos marmanjos.

A galera mais jovem – aqueles que nasceram na segunda metade dos anos 90 – vão achar um lixo. E com razão. Os dos anos 2000 – que são os adolescentes de hoje – nem se fala. O parâmetro de comparação é totalmente diferente. Normal.

E tudo é uma questão de público. Pode até ser que as crianças de hoje curtam, uma vez que assim como nós fomos, elas também não têm o senso crítico sobre a obra. Mas não é garantia.

Acredito que para a turma oitentista será permitido no máximo rir do quão tosco era. Se quem assistiu nos anos 80 o fizer novamente agora com a cabeça voltada para a crítica, certamente vai se arrepender e ainda sairá falando mal.

Comparo com os filmes clássicos do Superman que são exibidos em quase todos os fins de semana na Fox. Efeitos tão toscos quanto os dos Tokusatsus. Provavelmente os adolescentes devem odiar. Por isso existem os remakes e as novas versões para agradar as novas gerações.

changeman-spamcastJaspion e Cia. correm o sério risco de sofrerem duras críticas de quem busca por qualidade. Sejamos francos: não há. A história do Jaspion, ao meu ver, é até interessante. A busca pelo pássaro dourado e as sete crianças, a mitologia por trás. No geral, é sim muito ruim esteticamente falando.

Portanto, se você pretende assistir com o senso crítico aflorado, ignore. Não falo somente do Jaspion, mas das outras séries também. Não vale a pena estragar a sua infância, meramente por birra de hater. Além do mais, se hoje você é um adulto, o que você vai querer buscando qualidade, enredo, perfeição em um programa feito para crianças e que foi assistindo enquanto era uma?

 

Agora se você quer apenas de divertir e curtir o momento, limpe sua mente, ignore as imperfeições e divirta-se. Pois, mais uma vez, a NetFlix está nos dando mimos que só quem viveu aquela época compreende. Liberte a criança dentro de você e vibre com o cosmic laser.

Ouça também nosso cast sobre nostalgia nipônica.

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Comentários do Facebook

Alex Rocha

Publicitário que saiu do meio da tórrida e úmida floresta amazônica para passar frio no sul do país. Descobriu que essa vida de Publicidade só dá fama, sucesso e dinheiro nos filmes e seriados estilo anos 60. Por isso, inventou de fazer uma coisa muito pior: ser podcaster. Hoje usa os conhecimentos publicitários para benefício próprio somente para dizer que anos de estudos e investimentos serviram pra alguma coisa.

  • Gustavo Costa

    O Gobbo é dos anos 80 e acha tudo uma merda. Essa opinião “seu Saraiva” não será exclusividade da molecada de agora. rsrsr

  • Paula Machado – SJDR/MG

    Ótimo texto, Alex!
    A regra dos 15 anos é uma coisa bem séria… mas… as pessoas se esquecem do maior objetivo dessas peças de entretenimento: entreter!
    Se querem preciosismos, vão aos grandes cineastas, aos filmes minuciosos, ao cinema arte… pra assistir às séries tokusatsu é importante se deixar levar pela diversão… antes de criticar e assistir meramente pra apontar defeitos, permita-se a lembrança, o saudosismo… e tenha em mente a época em que foram produzidos (décadas de 1970 e 80)… mesmo que seja pra dar risada… aproveite a oportunidade de “voltar à infância”… boas memórias afetivas fazem muito bem à saúde mental de qualquer pessoa…

    Não seja um chato! Divirta-se!!!

  • Álvaro Xavier

    Cara, a uns 2 anos, comprei Jaspion em DVD, e foi uma experiência super divertida rever. Muitas risadas com a galera. As vezes coloco rodar quando tem visita em casa.