Spamflix 005 – Questão de honra

a-few-good-menSabe aquele filme que tem uma frase famosa e você sente que tem que ver mais por causa da frase do que pela história, elenco ou qualquer outra coisa? Para mim esse foi Código de Honra, de 1992, com sua frase “YOU CAN’T HANDLE THE TRUTH” gritada cuspida e nervosa pelo Coronel Nathan Jessup de Jack Nicholson – traduzindo livremente “VOCÊ NÃO AGUENTA A VERDADE”. No elenco ainda tem Tom Cruise, numa fase atuando em papéis sem ação, Demi Moore, na época já símbolo sexual mas aqui com recatamento militar, Kiefer Sudderland, Kevin Bacon e ainda algumas pontas em papéis de início de carreira como Cuba Gooding Jr e Noah Wyle (que até hoje está em início de carreira).

questão de honraVamos lá, é um baita filme. Filmes merda também podem ter frases marcantes, mas aqui não é o caso. A história se resume em um julgamento militar de dois soldados que mataram sem querer um outro soldado que era meio frouxo numa espécie de trote, o chamado código vermelho. E veja só, isso na tal base de Guatánamo, que até hoje ouvimos falar, e sempre mal. No caso está Tom Cruise, que é um advogado de defesa brilhante recém saído da faculdade de Havard, o tenente Daniel Kaffee, e a sua chefe capitã tenente JoAnne Galloway, que é uma espécie de gerente de advogados querendo mostrar serviço, a linda Demi Moore.

questão de honraO tenente Kaffee é um advogado relaxado tentando passar seu período obrigatório de serviço militar na marinha e que recebe esse caso provavelmente para perder, pois você irá perceber que o alto escalão de hierarquia pode estar envolvido, mas na insistência da capitã eles se esforçam para o caso. Ela me parece um pouco engajada, acho que isso conta para a preocupação dela em provar que há um problema ocorrendo em Guatánamo – e hoje em dia sabemos que tem vários.

questão de honraO Coronel Jessup é aquele tipo de cara que fará qualquer coisa para manter a ordem, ou melhor, a ordem de acordo com o que ele acredita que seja a ordem. Os soldados abaixo dele sofrem para serem duros, pois, como é falado várias vezes no filme, eles são a última linha de defesa, estão de frente para o muro que separa os EUA do inimigo, lembrando que o filme se passa na época da Guerra Fria e Guatánamo fica em Cuba. E é meio megalomaníaco, como sempre.

questão de honraPra quem gosta de filmes de tribunal é um prato cheio, na verdade não sai muito daquela fórmula de passar o filme inteiro mostrando que a causa está perdida até a última cartada no final que vira o jogo, mas vale a pena, e o final é empolgante. É interessante esses filmes americanos que contestam a si mesmos, tentando dar uma cara subversiva para esse povo tão conservador. O filme é marcante, não chega a dar alguma conclusão como foi o Senhor das Armas, da época boa de Nicolas Cage, mas nos faz pensar sobre o custo que temos pago pela paz e como a honra pode ser desonrosa. Traz Jack Nicholson excelente como sempre, e um Tom Cruise que já não vemos, num papel quase que precursor de Jerry Maguire. Principalmente pelo poder da frase citada, o filme se tornou um clássico. É imperdível, nem que seja apenas para ouvir que nós não aguentamos a verdade.

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Gobbo

Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante (conhecida como Espírito Santo, no Brasil, acredite, esse lugar existe!), Gobbo perambulava por uma calçada quando, sem saber, andou em sincronia perfeita no tempo e espaço com um antigo ritual da tribo Roken Row, que despertou índios em estado inanimado em uma caverna do Téquissas, e então ele se transformou em… nada. Continuou sendo o mesmo cara, mas uma antiga profecia Roken Row diz que aquele que acionar os índios através do ritual, deve ser munido de toda cultura inútil quanto possível, para que assim ele possa fazer algo que não se sabe o que, mas que trará um grandioso resultado, que não se tem idéia. E desde então ele vem sendo observado sem notar, e tem absorvido uma quantidade absurda de informação desnecessária, tornado-o em: um cara comum qualquer que passa do seu lado e você nem nota.