Spamflix 009 – A onda

a ondaDe vez em quando temos a oportunidade de ver os alemães fazerem uma auto-reflexão sobre seu passado político do século 20 em uma película como o ótimo Adeus, Lênin! que fala sobre a Berlin Oriental comunista, e também aqui em A Onda, de 2008, que é contada uma história baseada em fatos sobre o professor Rainer Wegner ensinando seus alunos sobre totalitarismo, em uma experiência que perdeu o controle.

a ondaO professor era um punk provavelmente crescido nos ideais do comunismo da Alemanha Oriental, que historicamente dava o curso de anarquia, mas um professor que é sua antítese em ideal toma sua classe na virada do ano letivo, sobrando para Wegner a aula de autocracia, que ele não queria. Em seu primeiro dia de aula ele percebe o quanto a geração atual está acomodada e até em certa parte alienada, e então resolve fazer um tratamento de choque: vamos simular uma autocracia, mesmo com os alunos certos que uma ditadura nunca mais seria aceita pelo povo alemão após o nazismo.

foto_a_ondaEntão foram estabelecendo as características dessa autocracia: o nome seria a onda, deveriam se vestir de branco e o seu líder seria o próprio professor, que agora só poderia ser chamado de Sr. Wegner, e todos deveriam pedir a palavra e se levantar para poder falar. Os alunos entraram na brincadeira e começaram a gostar de ter um grupo só deles, que os tornava especial. Tentaram falar com seus pais em casa sobre a experiência, e esses fazem pouco caso, o que é um retrato da sociedade atual.

die-welle-10-previewAo mesmo tempo somos apresentados a um jovem recluso, tímido e deslocado, o Tim, que é o que mais se empolga com a Onda, pois finalmente se sentia inserido, e principalmente, importante, pois todos abaixo do professor eram tratados com a mesma desimportância na sociedade da Onda, mas sempre acima de qualquer um que não esteja no movimento.

a ondaO grupo fica famoso nos círculos da escola, e então mais adolescentes vão sendo “evangelizados” e entram para o grupo, que a esse ponto já tinha um símbolo e um cumprimento padrão, e então grupos começam a vagar pela cidade para impor sua presença, pichar muros, chegando a enfrentar anarquistas – “os inimigos” – no caminho, onde Tim revela ter uma pistola para afugentar os opositores. Mas segundo ele estava carregada de festim. Tim de patinho feio se torna um dos mais importantes do movimento e enxerga no professor a figura paterna que não tem em casa, até com uma certa idolatria.

a ondaO movimento a Onda vai longe demais com seus alunos absorvendo demais essa cultura do totalitarismo e é nesse ponto percebemos o que o professor queria provar, que o ser humano é fraco e anseia por inclusão e se sentir acima dos outros, que agora são escória, e isso propicia a qualquer regime ditatorial a encontrar seu lugar, basta um momento de fragilidade e desatenção. Não tem como não fazer a correlação entre a Onda e o Nazismo, fica muito claro.

a ondaMas se trata de crianças e adolescentes, e a história acaba tendo um final trágico que não irei revelar, mas ao lembrarmos que o filme é um fato nos faz perceber o quanto falhamos em aprender com o passado e transmitir isso, além do amor, aos nossos filhos. Pensando em Brasil não tem como não fazer a relação com esses movimentos pedindo o retorno da ditadura.

Esse filme é um alerta, temos que disseminar essa experiência para que não cometamos os mesmos erros cometidos no passado. E vindo de alemães isso se torna muito mais representativo.

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Gobbo

Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante (conhecida como Espírito Santo, no Brasil, acredite, esse lugar existe!), Gobbo perambulava por uma calçada quando, sem saber, andou em sincronia perfeita no tempo e espaço com um antigo ritual da tribo Roken Row, que despertou índios em estado inanimado em uma caverna do Téquissas, e então ele se transformou em… nada. Continuou sendo o mesmo cara, mas uma antiga profecia Roken Row diz que aquele que acionar os índios através do ritual, deve ser munido de toda cultura inútil quanto possível, para que assim ele possa fazer algo que não se sabe o que, mas que trará um grandioso resultado, que não se tem idéia. E desde então ele vem sendo observado sem notar, e tem absorvido uma quantidade absurda de informação desnecessária, tornado-o em: um cara comum qualquer que passa do seu lado e você nem nota.